Em
nenhum momento achei que quem faria as malas e deixaria essa história para trás
seria eu. Quem poderia imaginar que logo a que amava mais ia ser a que
desistiria do amor primeiro? Um dia, por mero acaso do destino, eu achei que
não dava. Sua indiferença já tinha machucado coisas demais aqui dentro. Essa sua mania de amar em silêncio, sem
palavras e sem atos, foi me matando até que eu tive que levantar e seguir em
frente. Eu até podia ficar e brigar por você. Brigar pelo amor que eu sempre jurei que a gente sentia. Eu podia ter te jogado na cara seus erros, na esperança de que você fosse mudar. Eu podia ter te mostrado aonde você estava falhando, aonde estava me perdendo. Mas, no fim das contas, eu só peguei minhas coisas, recolhi os cacos do meu coração e te deixei livre pra amar alguém que não te exigisse tanto.
Ela te
mostra que enquanto você quiser muito algo, vai haver uma distância razovável
entre você e o seu objetivo. Isso tudo é aquilo que dizem sobre estar distraído
o suficiente pra receber o que merece. Esperar demais cansa. E o cansaço te faz
aceitar qualquer migalha.
Nós fomos essa bagunça, essa história torta, cheia de tropeços e vírgulas colocadas nos lugares errados. Nós construímos um texto confuso, sem coerência e coesão. Nós fomos uma história mal contada, um enredo nunca assumido, um romance que ninguém nunca quis comprar. Livro meia boca de autores iniciantes.
Eu também nem posso dizer mais que
te amo. Acho que amo só quem um dia a gente foi. Acho que amo tudo o que você
fez para mim, tudo o que me ensinou, tudo o que me fez crescer. Talvez um dia
esse amor estranho que ainda sinto, pelo nosso passado, vire memória. Talvez um
dia eu te esqueça
Rezo mesmo pra gente ainda poder
rir disso tudo. E sorrir ao lembrar como a gente já foi feliz.
Não vou impedir nada, não vou brigar, não vou querer te
convencer que poderíamos ter sido tudo. Tenho a impressão de que o que nós
poderíamos ter sido nós fomos. E o que não fomos? Felizes para sempre.
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